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Lula defende o Pix após críticas de relatório comercial dos Estados Unidos

Presidente afirma que sistema de pagamentos do Banco Central será mantido e aprimorado diante de questionamentos sobre concorrência internacional

Redação Por Redação
03/04/2026
Em Política
Foto: Ricardo Stuckert / PR

Foto: Ricardo Stuckert / PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta quinta-feira (2) o sistema de pagamentos instantâneos Pix após críticas apresentadas em relatório do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos. Durante agenda pública em Salvador, Lula afirmou que a ferramenta continuará sendo utilizada no país e poderá passar por aprimoramentos para atender às demandas da população, destacando o papel do sistema na inclusão financeira e na modernização das transações. As informações são da Agência Brasil.

A manifestação ocorre após o documento norte-americano apontar preocupações de empresas dos Estados Unidos quanto ao funcionamento do Pix. Segundo o relatório, haveria receio de tratamento preferencial por parte do Banco Central do Brasil, responsável pela criação, operação e regulação da plataforma.

Relatório aponta possíveis impactos na concorrência

O Relatório de Estimativa do Comércio Nacional de 2026, divulgado no fim de março, menciona o sistema brasileiro como potencial fator de desequilíbrio competitivo no setor de pagamentos digitais. De acordo com o documento, empresas norte-americanas avaliam que a obrigatoriedade de adesão ao Pix por instituições financeiras com mais de 500 mil contas poderia favorecer o sistema em detrimento de outros serviços privados.

O texto também ressalta que o controle integral do Pix pelo Banco Central — incluindo desenvolvimento, operação e regulamentação — gera questionamentos sobre neutralidade concorrencial no mercado de pagamentos eletrônicos.

Governo brasileiro reforça caráter público do sistema

Ao comentar as críticas, Lula afirmou que o Pix é uma ferramenta nacional e que sua continuidade não será alterada por pressões externas. Segundo o presidente, o sistema tem apresentado resultados positivos no cotidiano da população e deve ser aperfeiçoado conforme as necessidades internas.

Em posicionamento anterior, o Ministério das Relações Exteriores já havia destacado que o modelo adotado pelo Brasil busca garantir segurança, eficiência e acesso amplo, sem discriminação entre empresas nacionais e estrangeiras.

Histórico de questionamentos comerciais

As críticas ao Pix se inserem em um contexto mais amplo de avaliação das práticas comerciais brasileiras pelos Estados Unidos. Em 2025, o país governado por Donald Trump abriu investigação interna sobre medidas consideradas potencialmente “desleais”, incluindo o sistema de pagamentos instantâneos.

Entre os pontos levantados à época estava a decisão do Banco Central de suspender operações do WhatsApp Pay em 2020, medida que gerou questionamentos de empresas ligadas à Meta, controlada pelo empresário Mark Zuckerberg.

Pix é apontado como instrumento de inclusão financeira

Lançado oficialmente em novembro de 2020, o Pix se consolidou como principal meio de pagamento instantâneo no Brasil. Desenvolvido pelo Banco Central, o sistema permite transferências em tempo real, com funcionamento contínuo e sem custo para pessoas físicas na maioria das operações.

O governo brasileiro sustenta que o modelo adotado segue práticas internacionais, citando iniciativas semelhantes em desenvolvimento por outras autoridades monetárias, como o Federal Reserve.

Evento em Salvador incluiu agenda de infraestrutura

A declaração do presidente ocorreu durante evento relacionado ao Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), com foco em mobilidade urbana na capital baiana. Na ocasião, Lula acompanhou obras do sistema de Veículo Leve sobre Trilhos de Salvador, que reúne investimentos federais estimados em R$ 1,1 bilhão.

Parte do sistema já opera em fase de testes, e novos estudos foram autorizados para expansão da malha ferroviária urbana na cidade.

Mudança na Casa Civil marca agenda política

O evento também marcou a saída do então ministro da Casa Civil, Rui Costa, que deixou o cargo para disputar as próximas eleições. A função passa a ser ocupada pela então secretária-executiva Miriam Belchior.

A mudança integra o calendário político-eleitoral e ocorre dentro do prazo de desincompatibilização exigido para candidatos que ocupam cargos no Executivo.

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