Porto Velho apareceu na última colocação entre as 27 capitais brasileiras avaliadas pelo Índice de Progresso Social (IPS) 2026, divulgado nesta quarta-feira (19). A capital rondoniense registrou 58,59 pontos no levantamento nacional, que mede condições de qualidade de vida, acesso a serviços públicos essenciais, bem-estar social e oportunidades para a população. O estudo utiliza dezenas de indicadores sociais e ambientais para avaliar o desempenho dos municípios brasileiros em áreas consideradas fundamentais para o desenvolvimento humano, como saneamento, saúde, educação, segurança, habitação e meio ambiente.
O IPS é elaborado a partir de dados públicos e busca medir o desenvolvimento social das cidades para além de indicadores econômicos tradicionais, como Produto Interno Bruto (PIB) e renda média. A metodologia considera 57 indicadores relacionados às necessidades humanas básicas, fundamentos do bem-estar e oportunidades oferecidas à população.
Segundo o levantamento, um dos principais fatores que contribuíram para o desempenho negativo de Porto Velho foi a baixa cobertura de saneamento básico. No componente Água e Saneamento, a capital alcançou apenas 35,42 pontos, um dos índices mais baixos registrados entre todas as capitais avaliadas.
Dados utilizados pelo estudo, com base em informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, indicam que somente 21,95% da população de Porto Velho possui acesso adequado ao sistema de esgotamento sanitário. O cenário evidencia dificuldades históricas relacionadas à infraestrutura urbana da capital.
Urbanização e meio ambiente também puxaram índice para baixo
Outro aspecto que impactou negativamente o resultado da cidade foi a baixa taxa de urbanização das vias públicas. Conforme os dados do IPS, Porto Velho possui índice de urbanização de apenas 21,7%, número considerado inferior ao observado em outras capitais brasileiras.
A pesquisa também apontou desempenho reduzido nos indicadores ligados à qualidade ambiental. No componente Qualidade do Meio Ambiente, a capital somou 43,02 pontos. O índice considera fatores como focos de calor, vulnerabilidade climática, preservação ambiental e impactos urbanos sobre o meio ambiente.
O resultado reflete desafios recorrentes enfrentados pela cidade em relação ao crescimento urbano desordenado, queimadas e infraestrutura ambiental. Rondônia frequentemente aparece entre os estados da Amazônia Legal com maiores registros de desmatamento e focos de incêndio, fatores que influenciam diretamente os indicadores ambientais urbanos.
Segurança pública teve desempenho abaixo da média
Na área da segurança pública, Porto Velho registrou 47,19 pontos no componente Segurança Pessoal. O indicador leva em consideração estatísticas relacionadas à violência urbana, taxas de homicídios, mortes no trânsito e sensação de segurança da população.
O desempenho abaixo da média reforça problemas estruturais enfrentados pela capital nos últimos anos em áreas ligadas à criminalidade e segurança viária. O crescimento populacional e a expansão urbana também aparecem como fatores associados aos desafios de gestão pública no município.
Além disso, especialistas apontam que indicadores sociais costumam refletir diretamente em áreas como violência, vulnerabilidade social e acesso desigual a serviços públicos essenciais.
Educação apresentou desempenho intermediário
Na área educacional, Porto Velho apresentou resultados considerados intermediários. Segundo o IPS, a capital registrou taxa de escolarização de 95,87% entre crianças de 6 a 14 anos.
Já o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) nos anos iniciais do ensino fundamental foi de 5,4 pontos. O indicador mede a qualidade do ensino público brasileiro com base no desempenho escolar e na taxa de aprovação dos estudantes.
Apesar da posição geral negativa no ranking nacional, o levantamento mostrou que Porto Velho teve desempenho relativamente melhor em acesso à educação superior. Nesse componente específico, a cidade alcançou 67,23 pontos, um dos melhores resultados da capital dentro dos critérios analisados pelo estudo.
IPS avalia condições reais de vida da população
O Índice de Progresso Social é utilizado como ferramenta de avaliação das condições reais de vida nos municípios brasileiros. Diferentemente de levantamentos focados apenas em desempenho econômico, o estudo mede a capacidade das cidades de garantir direitos básicos e qualidade de vida à população.
Os indicadores são organizados em diferentes áreas, incluindo necessidades humanas básicas, fundamentos do bem-estar e oportunidades sociais. Entre os critérios avaliados estão acesso à água potável, moradia, atendimento médico, educação, inclusão social, mobilidade urbana e sustentabilidade ambiental.
O resultado de Porto Velho no IPS 2026 reforça desafios históricos enfrentados pela capital de Rondônia em áreas estruturais, principalmente relacionadas ao saneamento básico, infraestrutura urbana e políticas públicas de desenvolvimento social.
A divulgação do ranking também amplia o debate sobre investimentos em serviços essenciais e planejamento urbano nas capitais da Região Norte, que frequentemente apresentam indicadores inferiores à média nacional em levantamentos ligados à qualidade de vida e infraestrutura pública.
Pontuações das capitais no IPS Brasil 2026





































