A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS foi encerrada sem a aprovação de um relatório final após sete meses de trabalho. O parecer apresentado pelo deputado Alfredo Gaspar (União-AL) foi rejeitado por 19 votos a 12, impedindo a conclusão formal dos trabalhos. As informações são da Agência Brasil.
Logo após o resultado, o presidente da comissão, Carlos Viana (Podemos-MG), decidiu encerrar a CPMI sem submeter à votação o relatório alternativo elaborado por parlamentares da base governista.
Relatório alternativo não foi analisado
A senadora Eliziane Gama (PSD-MA) apresentou questão de ordem para que o texto alternativo fosse apreciado, mas o pedido foi rejeitado pela presidência da comissão, que também não designou relator para leitura do documento.
Mesmo sem relatório aprovado, Carlos Viana afirmou que as investigações terão continuidade. Cópias do parecer rejeitado serão encaminhadas a instituições como o Ministério Público Federal (MPF) e o Supremo Tribunal Federal (STF).
Já o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) informou que o relatório da base governista será levado à Polícia Federal do Brasil.
Relator pedia indiciamento de mais de 200 pessoas
Com mais de 4 mil páginas, o relatório de Alfredo Gaspar solicitava o indiciamento de 216 pessoas, incluindo empresários, ex-dirigentes do INSS, parlamentares e nomes ligados ao Banco Master, como o empresário Daniel Vorcaro.
O documento também citava Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, sob suspeita de recebimento de valores indiretos.
Base governista apresentou versão própria
O relatório alternativo, apresentado por parlamentares aliados ao governo, pedia o indiciamento de 201 pessoas. Entre os nomes citados estão o ex-presidente Jair Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apontados no documento como integrantes de suposta organização criminosa.
Investigação apurou fraudes em benefícios
Instalada em agosto de 2025, a CPMI investigou descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), além de possíveis irregularidades em empréstimos consignados.
Os trabalhos foram encerrados após decisão do STF que negou a prorrogação da comissão. Nas semanas finais, o colegiado também foi alvo de críticas por supostos vazamentos de informações sigilosas obtidas durante as investigações.



