O senador Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que apura descontos irregulares em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), afirmou nesta terça-feira (17) que a Polícia Legislativa do Congresso Nacional irá investigar o vazamento de dados obtidos com a quebra de sigilos do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Segundo o parlamentar, houve divulgação indevida de informações que deveriam permanecer restritas ao âmbito da investigação, incluindo conteúdos de natureza privada.
Decisão do STF limitou acesso da comissão aos arquivos
Na segunda-feira (16), o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a CPMI do INSS não tenha acesso a novos dados armazenados na sala-cofre da comissão.
O material deverá ser devolvido à Polícia Federal (PF), responsável por realizar nova análise e separar informações relevantes das que dizem respeito à vida íntima do investigado.
Viana afirmou que pretende encaminhar questionamento ao gabinete do ministro para saber quando os dados serão novamente disponibilizados à comissão após essa triagem.
Convites a dirigentes do Banco Central
Para avançar nas investigações, o senador informou que pretende convidar o atual presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo, e o ex-presidente da instituição Roberto Campos Neto para depor no mesmo dia.
A proposta é ouvir ambos simultaneamente sobre o caso envolvendo o Banco Master e a oferta de crédito consignado em benefícios previdenciários, evitando confronto político entre governo e oposição.
Operação Sem Desconto e possíveis novas prisões
O parlamentar também comentou a nova fase da Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal nesta terça-feira, e afirmou que novas prisões podem ocorrer.
Segundo ele, ao menos 14 pessoas já foram presas por suspeita de participação no esquema investigado, que teria afetado aposentados e pensionistas.
Investigação cita instituições religiosas e suspensão de crédito consignado
Durante coletiva no Senado, Viana mencionou que entidades religiosas apareceram nas investigações e que o pastor Fabiano Zettel, apontado como operador financeiro ligado ao banco, foi convocado a prestar esclarecimentos. A Igreja Batista da Lagoinha nega vínculos com o banqueiro.
O senador destacou ainda que o presidente do INSS, Gilberto Waller Junior, determinou a suspensão de novas operações de crédito consignado envolvendo o Banco C6 até a restituição de valores cobrados indevidamente de beneficiários.
Comissão pode ter prazo ampliado
Por fim, Carlos Viana defendeu a prorrogação dos trabalhos da CPMI, atualmente previstos para terminar em 28 de março, afirmando que a continuidade das investigações é necessária para esclarecer o esquema e evitar novos prejuízos ao sistema previdenciário.





