A fumaça das queimadas no Amazonas afeta a qualidade do ar em Porto Velho e levou a Prefeitura a reforçar as orientações de prevenção à população. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), os ventos que atuam na região transportam a fumaça até Rondônia. O cenário preocupa principalmente crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias, grupos mais vulneráveis aos efeitos da poluição atmosférica.
A IQAir, empresa suíça que monitora a poluição do ar em diferentes países, registrou índice de 120 em Porto Velho. Esse resultado é classificado como prejudicial para grupos sensíveis e indica a necessidade de reduzir a exposição à fumaça. Imagens de satélite do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) também apontam a concentração de fumaça no Amazonas, com deslocamento em direção a municípios vizinhos, incluindo a capital rondoniense.
A situação é agravada pela estiagem e pela baixa umidade do ar na região, além das condições do Rio Madeira. A combinação desses fatores aumenta a preocupação com os impactos ambientais e os possíveis efeitos sobre a saúde dos moradores.
Amazonas registra aumento expressivo de focos de incêndio
Dados do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam) indicam que o Amazonas registrou um recorde de incêndios em 2026. Nos dez primeiros dias de outubro, foram contabilizados 1.380 focos, quantidade 271% superior à registrada no mesmo intervalo de 2025.
Embora a fumaça que chega a Porto Velho esteja relacionada a incêndios em outro estado, a administração municipal destaca que a prevenção de queimadas dentro da capital também é fundamental para evitar o agravamento da poluição e reduzir riscos à população.
O prefeito Léo Moraes pediu a colaboração dos moradores para impedir novos focos de incêndio e adotar medidas de proteção, sobretudo para crianças, idosos e pessoas mais vulneráveis aos efeitos da fumaça.
“Precisamos da colaboração de todos para enfrentar esse cenário. Mesmo quando a fumaça vem de outras regiões, podemos fazer a nossa parte, evitando queimadas, denunciando focos de incêndio e adotando cuidados para proteger a saúde, principalmente das crianças, dos idosos e das pessoas mais vulneráveis”, afirmou.
O secretário municipal de Meio Ambiente, Arthur Borin, também ressaltou a importância da participação da população. Segundo ele, evitar queimadas, redobrar os cuidados com a saúde e comunicar possíveis focos de incêndio são medidas que ajudam a reduzir os impactos ambientais na cidade.
Prefeitura orienta como reduzir os efeitos da fumaça
Diante da fumaça e da baixa umidade, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Sema) recomenda que os moradores mantenham a hidratação ao longo do dia e adotem medidas para melhorar as condições dos ambientes internos.
Entre as orientações estão beber água regularmente, umidificar os ambientes com toalhas molhadas ou recipientes com água e evitar qualquer tipo de queimada. Pessoas com doenças respiratórias devem redobrar os cuidados e considerar o uso de máscaras de proteção adequadas para reduzir a exposição às partículas presentes no ar.
A população também deve ter atenção especial a crianças, idosos e pessoas com condições de saúde que possam ser agravadas pela poluição. Em caso de sintomas ou piora de problemas respiratórios, a recomendação é procurar atendimento de saúde.
A Prefeitura reforça que a fumaça transportada de outras regiões não elimina a responsabilidade local na prevenção de incêndios. A colaboração dos moradores, segundo a administração, é importante para evitar novas ocorrências e diminuir os danos ambientais.
Denúncias de queimadas podem ser feitas pelo WhatsApp
A Secretaria Municipal de Meio Ambiente recebe denúncias sobre queimadas, descarte irregular de resíduos e outras práticas que possam provocar incêndios. Os registros podem ser encaminhados pelo WhatsApp (69) 98423-4092.
Também é possível apresentar denúncias presencialmente na sede da secretaria, localizada na rua General Osório, nº 81, no Centro de Porto Velho. O atendimento ocorre das 8h às 14h.
A orientação é comunicar as ocorrências para que os órgãos responsáveis possam avaliar as situações e adotar as providências necessárias. A participação da comunidade é considerada uma medida importante para prevenir incêndios e proteger a qualidade ambiental da capital.
Porto Velho registra queda de 32,8% nos focos de incêndio
Apesar do aumento da fumaça que chega do Amazonas, os registros de incêndios em Porto Velho apresentaram redução na comparação anual. De janeiro ao início de outubro de 2025, foram contabilizados 1.013 focos na capital. No mesmo período de 2026, o número caiu para 680, uma diminuição de 32,8%.
A administração municipal também informa que, na comparação entre 2024 e 2025, houve redução de 60% na poluição atmosférica em Porto Velho, conforme dados do Programa Queimadas, do Inpe.
O ano de 2024 foi marcado por condições climáticas extremas, incluindo forte estiagem associada ao El Niño, que ampliou o risco de incêndios na região. Naquele período, a fumaça encobriu a capital, afetando o meio ambiente, a navegação no Rio Madeira e a saúde da população, com preocupação relacionada ao aumento de problemas respiratórios.
Mesmo com a redução dos focos de incêndio registrada em Porto Velho, as condições climáticas e a ocorrência de queimadas em estados vizinhos continuam influenciando a qualidade do ar. A persistência da baixa umidade e das temperaturas elevadas pode contribuir para o agravamento do cenário.
Para enfrentar o problema, a Prefeitura afirma ter adotado medidas como fiscalização, ações de conscientização, contratação de organização especializada em combate a incêndios e intensificação de vistorias.
O município informa que continuará monitorando a qualidade do ar e os focos de incêndio na região. A orientação é que os moradores acompanhem os alertas, evitem práticas que possam provocar queimadas e adotem cuidados para reduzir a exposição à fumaça.





























