O Instituto Médico Legal (IML) do Rio de Janeiro liberou 89 corpos de vítimas da Operação Contenção, ação policial que deixou 121 mortos nos complexos da Penha e do Alemão. O órgão trabalha para concluir até o fim de semana a identificação dos 117 civis mortos. A operação também resultou na morte de quatro policiais. As informações são da Agência Brasil.
Segundo a Polícia Civil, está em fase final um relatório de inteligência com centenas de páginas, que reúne informações sobre a identidade dos mortos e uma análise sobre o papel estratégico dos complexos da Penha e do Alemão dentro da estrutura do Comando Vermelho.
O governo do estado afirmou que, entre os 99 corpos identificados até agora, 78 tinham histórico criminal e 42 possuíam mandados de prisão pendentes, embora ainda não seja possível determinar se essas ordens foram expedidas no contexto da operação ou anteriormente.
O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) acompanha o caso por meio da Subprocuradoria-Geral de Direitos Humanos e Proteção à Vítima (SUBDH). O órgão está realizando uma perícia independente e prestando acolhimento aos familiares durante a liberação dos corpos. O trabalho conta com uma equipe de oito peritos sob a supervisão de um promotor de Justiça.
O governo federal, por sua vez, enviou 20 peritos criminais da Polícia Federal para reforçar as investigações. Segundo o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, o objetivo é “garantir transparência e rigor técnico na apuração dos fatos”.
Mandados e resultados da operação
A Operação Contenção, deflagrada na última terça-feira (28), tinha como meta cumprir 100 mandados de prisão e 180 de busca e apreensão. Até agora, 20 alvos foram presos e 15 foram mortos durante a ação. O principal alvo, Edgar Alves de Andrade, o Doca, considerado o principal chefe do Comando Vermelho em liberdade, segue foragido.
Denúncias e críticas
Entidades de direitos humanos e organizações da sociedade civil classificam a ação como um “massacre” e uma “chacina”, denunciando o alto número de mortos e a falta de transparência nas investigações. Moradores do Complexo da Penha relataram ter encontrado corpos com sinais de tortura e mutilações em áreas de mata, removidos pelos próprios familiares na madrugada seguinte à operação.
Enquanto as forças de segurança destacam os resultados contra o crime organizado, entidades sociais e parlamentares exigem apuração independente e responsabilização pelos excessos. A Operação Contenção já é considerada a mais letal da história do Rio de Janeiro e reacende o debate sobre o uso da força pelo Estado nas periferias.





