A apreensão de uma arma de fogo ligada ao ex-presidente Jair Bolsonaro voltou ao centro das atenções após ele prestar depoimento à Polícia Civil do Distrito Federal em investigação que apura as circunstâncias da retirada do armamento de sua residência durante o período em que cumpre prisão domiciliar. Segundo a defesa, Bolsonaro afirmou aos investigadores que não houve qualquer intenção de violar determinações judiciais e explicou que a pistola foi entregue temporariamente a um de seus seguranças para reparo após apresentar problemas de funcionamento. O caso é acompanhado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e poderá influenciar a decisão sobre a manutenção do benefício da prisão domiciliar. As informações são da Rádio Nacional.
O depoimento foi realizado na residência onde o ex-presidente permanece desde março, em cumprimento à medida determinada no âmbito da execução da pena imposta no processo relacionado à tentativa de golpe de Estado. A oitiva integra o inquérito instaurado pela Polícia Civil para esclarecer os fatos envolvendo a apreensão da arma em uma abordagem de trânsito ocorrida no Distrito Federal.
Defesa afirma que arma estava regularmente registrada
De acordo com informações divulgadas pelo advogado Paulo Cunha Bueno, que acompanhou o depoimento, Bolsonaro confirmou ter solicitado auxílio de um militar de sua equipe de segurança para providenciar o conserto da pistola após verificar que o equipamento apresentava falhas.
A defesa sustenta que o armamento pertence legalmente ao ex-presidente e possui registro regular. Os advogados argumentam ainda que não existe determinação judicial suspendendo ou cancelando a autorização referente à arma, razão pela qual ela poderia permanecer em seu endereço residencial.
Em manifestação pública, Paulo Cunha Bueno afirmou que o episódio não possui relevância penal e classificou a situação como desprovida de elementos que indiquem a prática de crime. Segundo ele, todas as explicações já haviam sido apresentadas previamente ao Supremo Tribunal Federal.
Arma foi localizada durante blitz no Distrito Federal
O caso teve início em 15 de junho, quando um veículo foi abordado durante uma operação de fiscalização em Taguatinga, região administrativa do Distrito Federal. Durante a vistoria realizada pelos agentes, foi encontrada uma pistola Glock calibre 9 milímetros, além de um carregador sobressalente.
O motorista do automóvel foi conduzido para prestar esclarecimentos e informou às autoridades que estava transportando a arma para providenciar reparos mecânicos. Segundo o relato apresentado, o equipamento teria sido entregue por pessoas ligadas ao ex-presidente após a identificação de um defeito.
A partir da ocorrência, a Polícia Civil iniciou apurações para verificar se houve alguma irregularidade relacionada à posse, ao transporte ou à manutenção do armamento.
Moraes questionou circunstâncias do reparo
O episódio também chegou ao conhecimento do ministro Alexandre de Moraes, responsável por acompanhar processos relacionados à execução penal de Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal. Ao solicitar esclarecimentos à defesa, o magistrado demonstrou interesse em compreender os motivos que levaram o ex-presidente a providenciar o reparo da arma naquele momento específico.
Entre os questionamentos apresentados, Moraes destacou o fato de o pedido para manutenção do equipamento ter ocorrido próximo ao encerramento do período de 90 dias inicialmente concedido para a prisão domiciliar humanitária.
A defesa respondeu aos questionamentos por escrito e reiterou que o procedimento teve caráter exclusivamente técnico, sem qualquer intenção de descumprir restrições impostas pela Justiça.
Decisão sobre prisão domiciliar é aguardada
A análise do caso ocorre paralelamente à avaliação que o Supremo realiza sobre a situação processual do ex-presidente. Alexandre de Moraes deverá decidir nos próximos dias se mantém ou altera as condições da prisão domiciliar atualmente cumprida por Bolsonaro.
A medida foi concedida em caráter temporário em razão de questões relacionadas à saúde do ex-presidente. Desde então, ele permanece submetido às regras estabelecidas pela Justiça para o cumprimento da pena fora do sistema prisional convencional.
Investigação segue em andamento
Enquanto a decisão do STF não é divulgada, o inquérito conduzido pela Polícia Civil do Distrito Federal continua em andamento. Os investigadores ainda analisam documentos, depoimentos e demais elementos relacionados à apreensão do armamento.
A defesa de Bolsonaro afirma que não houve qualquer violação legal e espera o arquivamento da investigação após a conclusão das diligências. Já as autoridades responsáveis pelo caso deverão encaminhar o resultado das apurações às instâncias competentes para eventual manifestação jurídica.
O episódio acrescenta mais um capítulo aos desdobramentos judiciais envolvendo o ex-presidente, que foi condenado a 27 anos e três meses de prisão no processo da trama golpista e atualmente cumpre prisão domiciliar temporária enquanto aguarda novas decisões da Justiça.



































