A CPI do Crime Organizado retoma os trabalhos no Senado com uma pauta que aprofunda a apuração sobre o Banco Master e possíveis conexões com agentes públicos e o sistema financeiro. A reunião deliberativa está prevista para o dia 25 de fevereiro. As informações são da Agência Senado.
Entre os requerimentos em análise está o convite aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) José Antonio Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. Parlamentares também apresentaram pedidos para ouvir familiares dos magistrados.
O senador Eduardo Girão (Novo-CE) propôs o convite da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa de Moraes, sob a justificativa de que ela teria mantido contrato com o Banco Master. Já os irmãos de Toffoli, José Eugênio e José Carlos, podem ser convocados por integrarem sociedade que negociou participação no Tayayá Resort com fundos ligados ao banco.
Toffoli deixou recentemente a relatoria do inquérito sobre o Master no STF, sendo substituído pelo ministro André Mendonça.
Executivos e autoridades na mira
A comissão também pode votar a convocação do controlador do banco, Daniel Vorcaro, além de ex-dirigentes da instituição, como o ex-CEO Augusto Ferreira Lima e outros executivos da área financeira e de compliance.
Há ainda pedidos de convite ao presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, ao ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa, e ao ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, que integrou o conselho consultivo do banco.
Suspeitas de lavagem e conexões financeiras
Os requerimentos citam desdobramentos da Operação Carbono Oculto, do Ministério Público de São Paulo, que investiga suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo estruturas ligadas a Vorcaro. Parlamentares mencionam possíveis vínculos com o Primeiro Comando da Capital (PCC) e transações relacionadas ao Clube Atlético Mineiro, do qual Vorcaro detém participação por meio de fundo de investimento.
Na área financeira, a pauta inclui pedido para que o Coaf envie Relatório de Inteligência Financeira e para que sejam transferidos os sigilos bancários do Banco Master entre 2022 e 2026. Também há requerimento à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para envio de informações sobre ativos aeronáuticos vinculados ao controlador e a empresas relacionadas.
Depoimento previsto
Antes da votação dos requerimentos, a CPI deve ouvir o ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias. Ele foi indiciado pela Polícia Federal por suspeita de envolvimento com o Comando Vermelho.
Segundo o relator da comissão, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), o depoimento poderá contribuir para esclarecer como organizações criminosas podem atuar no sistema financeiro e em estruturas do poder público.



