O caso Master, classificado pelo ministro Fernando Haddad como possivelmente a maior fraude bancária da história do país, revela muito mais que um rombo estimado em R$ 12 bilhões. Ele expõe fissuras profundas no sistema financeiro brasileiro e coloca em debate o papel do Estado na regulação do mercado.
Ao tratar o episódio como um momento histórico, o presidente Lula sinalizou que a responsabilização deve alcançar não apenas operadores diretos, mas também estruturas que permitiram a engrenagem da fraude. O centro da questão não é apenas criminal, é institucional.
As investigações apontam conexões políticas relevantes, com trânsito em setores influentes do Congresso e proximidade com figuras associadas à direita. Movimentos para alterar regras de garantias financeiras e pressões sobre o Banco Central indicam tentativas de flexibilizar controles em meio à crise.
Também chama atenção o envolvimento de fundos públicos e instituições estatais, como regimes próprios de previdência e bancos regionais. Recursos destinados a aposentadorias e políticas públicas ficaram expostos a operações de alto risco, com potencial impacto social significativo.
O episódio ocorre em um ambiente marcado pela autonomia formal do Banco Central e por uma política monetária de juros elevados. A combinação entre desregulamentação, spreads bancários entre os maiores do mundo e fiscalização insuficiente cria terreno fértil para distorções.
Não se trata de demonizar o sistema financeiro, mas de reconhecer que sua função social precisa ser reafirmada. Crédito deve impulsionar produção, emprego e desenvolvimento, não alimentar circuitos especulativos desconectados da economia real.
Há ainda o risco de instrumentalização política do escândalo, inclusive com tentativas de desgastar instituições como o STF em meio a decisões controversas. O combate à corrupção não pode servir de pretexto para fragilizar a democracia ou tensionar o processo eleitoral de 2026.
Para Rondônia e demais estados que dependem de estabilidade fiscal e crédito produtivo, crises dessa magnitude afetam confiança, investimentos e políticas públicas. A insegurança financeira repercute diretamente na vida da população.
O caso Master reforça a urgência de reformas estruturais democráticas, especialmente no sistema financeiro. Transparência, supervisão eficaz e alinhamento com o interesse nacional são condições indispensáveis para evitar novos episódios.
Mais do que punir responsáveis, é preciso reconstruir mecanismos de controle e subordinar a política monetária ao projeto de desenvolvimento do país. A defesa da democracia passa também por um sistema financeiro regulado, transparente e comprometido com o Brasil real.

