Saúde

País tem dia D de vacinação contra pólio e sarampo

Com a meta de vacinar cerca de 11 milhões de crianças de 1 ano de idade até os 5 anos incompletos, mais de 36 mil postos de saúde de todo o país promovem neste sábado (19) um dia D de vacinação contra o sarampo e a poliomielite.

A campanha de vacinação neste ano foi intensificada devido ao surgimento de um maior número de pessoas infectadas por essas doenças. Há no momento, por exemplo, dois surtos de sarampo ativos no país: um no Amazonas, onde foram confirmados 910 casos, com três mortes; outro em Roraima, com 300 casos confirmados e quatro mortes.

Nas propagandas, tem sido reforçada aos pais a importância de imunizar os pequenos no caso do sarampo e da pólio, doenças que pareciam esquecidas pela população, pois eram consideradas eliminadas no país, mas cujos casos voltaram a aparecer.

“Eu vi a propaganda na televisão, por isso vim aqui hoje vacinar meus três filhos”, disse Ana Jacqueline Oliveira, de 33 anos, que compareceu a um posto de saúde de Ceilândia, no Distrito Federal, onde 30 crianças haviam sido vacinadas até as 10h.

Para garantir a cobertura total contra o sarampo, mesmo as crianças de 1 ano a até 5 anos que já tomaram alguma dose deverão ser imunizadas novamente com a vacina tríplice viral.

No caso da poliomielite, crianças que nunca tomaram nenhuma dose receberão a vacina inativada poliomielite (VIP). As que já tomaram pelo menos uma dose da vacina receberão apenas a gotinha (vacina oral poliomielite).

As autoridades de saúde têm buscado também afastar o receio dos pais que recebem informações falsas sobre supostos perigos de tomar a vacina, destacando não haver nenhum risco para as crianças.

“As vacinas tanto da poliomielite quanto a do sarampo são muito seguras, elas têm sua segurança  testada em laboratórios ano a ano, então a população pode ficar tranquila”, disse a diretora de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Saúde do Distrito Federal, Maria Beatriz Ruy, à Agência Brasil.

A meta do Ministério da Saúde é vacinar 95% do público-alvo da campanha, iniciada no último dia 6 e que segue até 31 de agosto. Até o momento, no entanto, somente 16% das crianças foram vacinadas em todo o país, segundo dados do próprio ministério.

São Paulo

Além das unidades básicas de saúde, a Prefeitura de São Paulo disponibilizou postos volantes para o dia D da vacinação contra pólio e sarampo. As doses também estão sendo oferecidas em mercados municipais, escolas, igrejas e shoppings. Com isso, foi possível formar uma rede de 500 pontos de vacinação na cidade.

Desde o dia 4, foram aplicadas na capital paulista 442.680 doses, sendo 223.398 contra pólio e 219.680 da tríplice viral – contra sarampo, caxumba e rubéola. Os números representam uma cobertura de cerca de 37% do público total para ambas as doenças. Os últimos dois casos de sarampo registrados no município foram em 2015, nenhum contraído na própria cidade.

Rio de Janeiro

No estado do Rio, cerca de 500 pontos de vacinação abriram as portas para ajudar a garantir a meta de imunizar 95% das crianças contra o sarampo e a poliomelite. No Centro Municipal de Saúde Heitor Beltrão, na Tijuca, zona norte da cidade, algumas famílias aproveitaram a ausência de filas, logo no início da manhã, para levar os filhos.

A expectativa no Rio é vacinar 812 mil crianças até o dia 31 de agosto, quando se encerra a campanha. De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde, na campanha de 2017, 95% do público-alvo foi vacinado contra sarampo e 82% contra a poliomielite.

Os casos de sarampo no Rio, 16 confirmados até o momento, acendem o sinal de alerta e, segundo a Secretaria Estadual de Saúde, são um motivo a mais para que a população não abra mão de se vacinar, embora não haja surto no estado.

Marcelo Camargo/Agência Brasil/Agência Brasil

*Colaboraram Raquel Júnia, repórter da Rádio Nacional, e Vladimir Platonow e Daniel Mello, repórteres da Agência Brasil

Edição: Juliana Andrade
Por Felipe Pontes – Repórter da Agência Brasil*  – Fonte: Agenciabrasil.ebc.com.br

Estudo mostra que Zika chegou ao Brasil proveniente do Haiti

Estudo desenvolvido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em Pernambuco revela que o vírus Zika chegou ao Brasil proveniente do Haiti. De acordo com pesquisadores, imigrantes ilegais e militares brasileiros que participaram da missão de paz no país caribenho podem ter trazido a doença.

Entre as hipóteses consideradas até então estava a de que o vírus teria entrado no Brasil durante a Copa do Mundo de 2014, trazido por turistas africanos. Outra teoria era de que a introdução teria ocorrido durante o Campeonato Mundial de Canoagem, realizado em agosto de 2014 no Rio de Janeiro, que recebeu competidores de vários países do Pacífico afetados pelo vírus.

Segundo a Fiocruz, o vírus Zika, originário da Polinésia Francesa, não veio de lá diretamente para o Brasil. Antes, migrou para a Oceania, depois para a Ilha de Páscoa, de onde foi para a América Central e o Caribe e só então chegou ao Brasil, no final de 2013. O trajeto coincide com o caminho percorrido por outras arboviroses, como dengue e chikungunya.

“Esse resultado aponta para o fato de que a América Central e Caribe são importantes rotas de entrada para arbovírus na América do Sul. Uma informação estratégica para a vigilância epidemiológica e para adoção de medidas de controle e monitoramento dessas doenças, especialmente em regiões de fronteira com outros países, portos e aeroportos”, destacou a fundação.

Ainda de acordo com a Fiocruz, em todos os casos brasileiros estudados, o ancestral em comum desse tipo de vírus é uma cepa do Haiti, país afetado por uma espécie de tripla epidemia de zika, dengue e chikungunya.

Outra conclusão do estudo é que houve múltiplas introduções, independentes entre si, do vírus Zika no Brasil. Isso muda a crença anterior de que um único paciente poderia ter trazido a doença, que depois teria se espalhado pelo país.

Pesquisadores analisam vírus Zika -(Reprodução/TV Brasil)

Edição: Graça Adjuto
Por Paula Laboissière – Repórter da Agência Brasil – Fonte: Agenciabrasil.ebc.com.br